AS TALAVISTAS: PIETÁ


 

 EXPOSIÇÃO COLETIVA

Darlene Valentim

Marli Ferreira

Pink Molotov

Richard Willian

ABERTURA: 19/09, quinta-feira, 20h - 1h

com a presença dxs artistxs

PERFORMANCE PIETÁ: 19/09 a partir das 22h

+ DJS: Marli Ferreira e Cafezin1

Período de visitação: 19/09 a 7/10/19  

A CENTRAL

Praça Rui Barbosa, 104 - Centro,

Belo Horizonte, MG, Brasil

GAL, em parceria com A Central e a Cento e Quatro, apresenta na Grande Primavera da Central;  Pietá, exposição do coletivo belo horizontino As Talavistas. Em Pietá (2019) As Talavistas produziram e re-encenaram a famosa escultura de Michelangelo em que a Virgem Maria segura o corpo de Jesus após sua crucificação. Discutindo questões como religião, identidade, gênero e a representação do corpo negro, Pietá inclui uma perfomance e uma seleção de 6 fotografias.

Para Pink Molotov, que a assina a direção criativa, maquiagem e produção da performance e série de fotografias “fortes processos de retomada se abatem, diariamente, sobre nossas cabeças e a aridez dos tempos nos leva a urgência da denuncia. Pietá é um trabalho sobre a falta, sobre a ausência do corpo, da alma e da própria ‘piedade’, é a evidência da repetição histórica das políticas de morte que se estabelecem em nosso país desde a invasão. Nossa nação é o calvário de uma juventude, o tumulo de uma multidão de Cristos e hoje nos resta construir o futuro, planejar a ressureição e a retirada da chave da morte das mãos do inimigo”.

O coletivo As Talavistas é composto por Marli Ferreira, Pink Molotov, Richard Willian e Darlene Valentim, quatro artistas negras que se conheceram durante as manifestações estudantis ocorridas no Brasil há dois anos, quando deixaram suas casas evangélicas para ocupar as escolas públicas. Em sua produção, As Talavistas buscam “a valorização das africanidades latentes que resistem aos processos epistemicídas vigentes no nosso país, mas, também se interessa em ampliar as possibilidades de existência e performance social do corpo negro. Corpo este, que carrega sobre se uma expectativa de gesto domesticado ou do comportamento violento ou ate mesmo dos pradrões de comportamento de gênero”.

Curadoria: Laura Barbi (GAL Arte e Pesquisa)

PIETÁ

Menino Jesus de quebrada/ Da mãe solteira, / Mal falada. /Seu corre / Começa no berço /Bixinha, viada / Do avesso / Olhai por nós / Que padecemos / Nas mãos / Dos filhos do demo

Marias, / Mulheres,/ Marielles, / Fluxo Vermelho /Que alimenta / Os seus  / Caminhamos sob tua luz, / Ao atravessar este vale da morte.  / Peço / Que as ofensas proferidas / Não escapem do corte,

Que possamos / Trazer Justiça / Ao dia de vossa morte /  Desses tempos sombrios / Até mudarmos nossa sorte / Amém!

Clara perspectiva desumana / O olhar da expectativa que carrego / Vê me negro, / Em forma de casca  / Vazia de alma e de graça / Cega visão, / Branca desgraça  / Não percebe o chão negro que passa.

Quem pisa nesse chão / Vê aqui a terra rasa, sem substância nem nutrição. / É que aqui, o que cresce se mata, se vende na mata, / E vira sifrão. / Aqui a justiça é lenta / uma figura de venda e espada na mão

Nós, / Em nosso leito, / Planejado, / Pré-feito, / Estamos cansadas da “má sorte” / de nascer na zona norte, / De ser vítima do corte / dessa educação sucata / Digerida e vomitada, / Pelo branco / Da mamata,

Que nao liga pra quem mata / Nessa / Páscoa arranjada / Para crente magnata. / Que não deixa / Minha cria / Vingar no terceiro dia.

O que/  Significa / Estar viva? / De onde vem / A Liberdade? / Quais os nomes / Dos que perderam a vida / Verdadeiramente / Para que / Vida signifique liberdade? / Quais os nomes

Dos que nos distanciam deste ideal? / O que queremos / Que signifique / Estar viva?

texto de AS TALAVISTAS que acompanha as imagens de Pietá