CLARA MOREIRA: VISLUMBRES DE UMA HISTÓRIA DE CINEMA


 

 

EXPOSIÇÃO INDIVIDUAL

Abertura: 30/08, sexta-feira, 19 - 23h com a presença da artista

Período de visitação: 30/08 a 30/09 

FILMES E(M) CARTAZ

Cinema, artes visuais e artes gráficas

Conversa com Clara Moreira, Giulia Puntel e Paulo Maia

03/09, terça-feira, 19h, Cine Humberto Mauro 

FestCurtasBH

21o Festival Internacional de Curtas de Belo Horizonte

30/8 - 8/9/2019

Cine Humberto Mauro e Café do Palácio – Palácio das Artes

Av. Afonso Pena, 1537 - Centro

Belo Horizonte, MG, Brasil

GAL, em parceria com o 21o FestCurtasBH e o Palácio das Artes - Fundação Clóvis Salgado, apresenta Vislumbres de Uma História de Cinema, primeira exposição individual da artista pernambucana Clara Moreira em Belo Horizonte. Vislumbres de Uma História de Cinema apresentará uma seleção de 20 desenhos originais e 40 impressões digitais de cartazes de cinema criados pela artista.
Entre os filmes com cartazes ilustrados por Clara estão as produções mineiras Ela Volta na Quinta, de André Novais Oliveira, A Cidade Onde Envelheço, de Marília Rocha, Material Bruto e Permanências, de Ricardo Alves Jr., O Porto, de Clarissa Campolina, Luiz Pretti e colaboradores. Clara realizou ainda diversos trabalhos para filmes pernambucanos, com Kleber Mendonça Filho (Recife Frio, O Som ao Redor, Bacurau); Gabriel Mascaro (Um Lugar ao Sol, Av. Brasília Formosa, Doméstica), Nara Normande (Dia Estrelado, Sem Coração, Guaxuma), Tião (Muro, Sem Coração, Animal Político) com a dupla Bárbara Wagner e Benjamin De Burca (Estás Vendo Coisas, Terremoto Santo).
Uma seleção de trabalhos expostos em Vislumbres de Uma História de Cinema estão disponíveis para venda durante a mostra e nos canais de comunicação da GAL.
Curadoria: Aline Xavier e Laura Barbi (GAL Arte e Pesquisa)
VISLUMBRES DE UMA HISTÓRIA DE CINEMA
Os mais de dez anos de criação de cartazes por Clara Moreira somam 67 trabalhos, a maior parte reunida em Vislumbres de Uma História de Cinema. Se cada invenção de uma artista visual alberga histórias secretas, os cartazes e desenhos originais de Clara, vistos juntos, evidenciam notórias genealogias, seja de um estilo próprio de arte gráfica, inconfundível no ambiente cinematográfico brasileiro, ou de filmografias centrais ao cinema realizado no país na última década.
A artista recifense recupera tradição poética na concepção de pôsteres, unindo a faculdade de representar filmes à de recriá-los na metamorfose do desenho. Através de confecção recíproca entre design contemporâneo e ressonâncias modernistas, seus trabalhos investem numa vocação visionária do cartaz: em cada um, gestos singulares de cinema transitam por outras dimensões, temperaturas, texturas, mediante o traço, a mancha ou o pontilhado; pelos jogos entre iluminação e opacidade ou entre enquadramento e desenquadramento.
“O filme é como uma entidade viva”, diz Clara, que desenvolve suas imagens numa relação estreita entre experiência fílmica, olhar da cineasta e sua própria cinefilia. Diante de um filme, a artista experimenta ora com figurações mais ou menos realistas – por vezes, a partir de frames, cenas ou motivos –, ora com a abstração, a vibração ou o movimento. Numa pesquisa visual de manifesto gosto artesanal, aventura-se por abordagens pictóricas distintas, variando entre carvão e nanquim (Muro), pastel seco (Doméstica), pastel oleoso (Permanências), pastéis mistos (O Som ao Redor), tinta acrílica (Sol Alegria), aquarela (Balsa) e, em especial, o minucioso lápis de cor que risca a maior parte de suas obras, e que destaca suas recorrências artísticas – como seu mais recente trabalho em pôster, Bacurau.
Do desenho à arte do cartaz, a vasta produção de Clara acompanhou a eclosão do cinema brasileiro independente da virada do decênio, em particular o de curta-metragem e o pernambucano, a se estender logo em seguida para longas-metragens e produções de outros estados, entre eles Minas Gerais. Um passeio pelas suas criações, que abrange títulos cujas biografias próprias são em si memoráveis, testemunha formas tão diversas quanto marcantes de cinema, além de indiciar a atuação de mecanismos de financiamento público que então se expandiam, com o florescimento contínuo de universos cinematográficos em variadas regiões do país.
É significativo que este conjunto de obras exponha o protagonismo da artista na gestação da identidade visual de filmes e festivais de cinema que, já em sua origem, ideológica e artística, difundiam, junto à crítica e a diversos públicos, uma noção emergente, entusiasmada, de cinema brasileiro independente, bem como seu valor estético, ético, político e produtivo. Nesta retrospectiva, redescobrimos um inspirado relato visual, ou fatia notável de uma história imaginativa do cinema recente realizado no Brasil.
Texto crítico: Luís Fernando Moura