MARINA TASCA: DENTRO ONDE EU NÃO CAIBO


 EXPOSIÇÃO INDIVIDUAL 

30 de Maio a 27 de Julho 2019

RESTAURANTE DO ANO

R. Levindo Lopes 158, Savassi,

Belo Horizonte,  MG, Brasil.

 

GAL, em parceria com o Restaurante do Ano, apresenta Dentro Onde Eu Não Caibo,  mostra individual da artista Marina Tasca, em que serão apresentadas duas séries recentes: Dentro Onde Eu Não Caibo e Jardim.  Dentro Onde Eu Não Caibo engloba um conjunto de desenhos feitos em grafite, lápis de cor, pastel e aquarela sobre papel. Bichos, plantas, humanos, coisas daqui e coisas criadas, mundos fantásticos e seres imaginários que aparecem ora agrupados, ora fragmentados pelo espaço da folha; sempre interagindo em composições livres e apresentados em formatos e mídias diversas. Para Marina “Os papéis são a possível morada dos desenhos imaginados que vivem escorregando da cabeça e dos dedos. São onde repousa aquilo que é tão grande que já não cabe dentro do corpo, ou que ainda, é pequeno demais e corre o risco de se perder se não for bem guardado”. A série Jardim é feita com caneta nanquim sobre papel. Ela apresenta outras personagens do mesmo universo imaginado de Dentro Onde Eu Não Caibo, porém dá mais destaque às figuras individuais.

Para a artista e curadora Daniela Maura, o trabalho de Marina compõe “uma série de mapas com percursos de metáforas de um mundo interior, que acaba de aprofundar suas raízes. Num encontro de coisas vivas, um fluxo de composição-texto, composição-coral, composição-constelação. Um mundo do desenho (...) feitos de textura gráfica, densidade de materiais, cor e de um estado de espírito aberto para a natureza sensível de todas as coisas. Talvez todas as imagens sejam formas de encontros, de pessoas, animais, coisas, de materiais, lápis, cor, carvão, papel e de planos, visível, imaginário, espiritual.” Ambas as séries foram apresentadas pela primeira vez em março de 2018 no Estúdio Guaco, Belo Horizonte.

DESENHO

As coisas que não sei falar ou escrever sobre/O que aparece para meus olhos de dentro sem motivo aparente/As coisas que se tornam grandes demais para serem mantidas no corpo ou na cabeça e já quero perdê-las/As coisas que se tornam pequenas demais e ameaçam desaparecer do corpo ou da cabeça e ainda quero guardá-las/As coisas que me pedem para espiar como é o lado de cá do papel/As coisas que querem mostrar para o lado de cá do papel como vive o lado de lá/As coisas que escorrem dos sentidos para as pontas dos dedos e me dão coceira/As coisas que se acumulam no saco que levo nas costas e que se pesa muito, me faz andar cabisbaixa/As coisas que pulam para fora das músicas bonitas/As coisas que escorregam das cores das flores e da luz do sol/As coisas que planam no ar junto ao cheiro de café e bolo/O que borbulha em frente ao sorriso dos meus amigos sem que eles se deem conta/Toda a festa que acontece no mundo quando você me toca/As coisas que sinto conhecer sem ter lembrança de ter vivido/As coisas de que sinto saudades e que não estou certa de terem acontecido/As lembranças de que tenho do futuro/As coisas que pulam para fora das minhas histórias preferidas/As montanhas, cavalos e cavaleiros que meu pai plantou na memória da minha coluna/Os segredos que uma criança conta olhando fundo nos meus olhos/O pessoal que cai do céu junto com a chuva/O que encontrei debaixo da terra nas vezes que me enterrei na lama/As coisas que vi no fogo/As coisas que escutei do vento/As criaturas que esmaguei andando no mato com meu cavalo/Tudo o que vive no que dizem estar morto

PARA QUE DESENHO

Para que eu entenda o que diz o silêncio/Para que eu saiba que eu não sou só eu e que ninguém é só alguém/Para que eu consiga aceitar que as coisas que não tem sentido são as que mais fazem sentido/Para que eu possa experimentar o tempo sendo humano, bicho, planta e coisa também/Para viver uma vida que continue sendo viva

POEMA DE MARINA TASCA